Entendendo o Suicídio.

 

“Parece simplesmente não existir nenhuma luz no fim do túnel.”


“Nada mais parece fazer sentido, há apenas uma dor tão pesada e que não consigo mais suportar…”


“Não aguento mais viver assim, eu gostaria de viver, mas não assim…”
“Não há mais nada que eu possa fazer, seria melhor morrer…”


“Ninguém se importa comigo, ninguém me entende...”


“Tenho vontade de ir embora, de desistir de tudo...”


Reconhecemos que falar sobre suicídio é particularmente desafiador. Parece que, semelhante a tantas outras situações de vulnerabilidade psicológica, para as quais preferimos olhar apenas em segredo, o silêncio funciona  como  uma “máscara” que visa esconder uma realidade de profunda dor, misturada com sentimentos de vergonha e estigma oferecendo, mais uma vez, pouca ou nenhuma ajuda útil. 


Em apenas um ano, cerca de um milhão de pessoas no mundo tiram a própria vida – aproximadamente uma morte a cada 40 segundos – e provavelmente há 4 milhões que o tentam fazer! O suicídio encontra-se entre as 10 primeiras causas de morte, sendo que por cada suicídio ocorrem 11 tentativas sem sucesso. Cerca de 20% das pessoas que tentam suicidar-se, se não procurarem ajuda especializada, repetem essa ação no prazo de um ano. Cerca de 10 % de todas as tentativas de suicídio são mortais.


O Brasil é o oitavo país com o maior número de suicídios. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 32 brasileiros morrem diariamente vítimas de suicídio. Os dados são ainda mais alarmantes em relação aos jovens. O suicídio mata mais pessoas entre 15 e 29 anos do que o HIV em todo o mundo.


O comportamento suicida envolve fatores sociais, psicológicos e outros que podem ser combatidos. Por isso, setembro foi escolhido pela Associação Brasileira de Psiquiatria, em parceria com o Conselho Federal de Medicina, o mês de combate ao suicídio com a campanha Setembro Amarelo.


O suicídio pode ser compreendido como resultado da interação de 3 fatores: pressão/stress social, vulnerabilidade individual e disponibilidade de meios. Em termos genéricos, o suicídio veicula, por um lado, o desejo de uma pessoa em escapar ou terminar com o seu sofrimento (que é resultante de variadíssimos problemas) e, por outro lado, o seu desejo em comunicar o seu sofrimento aos outros– é um pedido de ajuda.


Fatores e situações de risco:

 

Perda de emprego, dificuldades econômicas ou sofrimento no trabalho; Stress social;

Problemas com o funcionamento da família, relações sociais, e sistemas de apoio; Trauma, tal como abuso físico, sexual ou psicológico;  Perda de pessoas queridas e próximas;  Perturbações mentais e de personalidade - depressão, esquizofrenia, alcoolismo e toxicodependência; Sentimentos de baixa autoestima ou de desesperança;  Discriminação e preconceito por orientação sexual e identidade de gênero; Poucas competências para enfrentar problemas;  Doença física e dor crônica; Modelos de suicídio: familiares, pares sociais, histórias de ficção e/ou notícias veiculadas pela mídia; Acesso a meios para conseguir fazer-se mal; Acontecimentos destrutivos e violentos (guerra ou desastres catastróficos). Família atual desagregada: por separação, divórcio ou viuvez. Culpabilidade elevada por atos praticados ou experiências passadas; Ausência de crenças religiosas, culturais e étnicas; Mudança de residência.

 

Sinais de alerta:
Tornar-se uma pessoa depressiva, melancólica (apresenta uma grande tristeza, desesperança e pessimismo, chora sistematicamente); Falar muito acerca da morte, suicídio ou de que não há razões para viver, utilizando expressões verbais tais como “Não aguento mais”, “Nada mais importa” ou “Quero acabar com tudo”;  Preparativos para a morte: pôr os assuntos em ordem, desfazer-se/oferecer objetos ou bens pessoais valiosos, fazer despedidas ou dizer adeus como se não voltasse a ser visto; Demonstrar uma mudança acentuada de comportamento, atitudes e aparência; Ter comportamentos de risco, marcada impulsividade e agressividade;  Aumento do consumo de álcool, droga ou fármacos; Afastamento social; Insônia persistente, ansiedade ou angústia permanente; Apatia pouco usual, letargia, falta de apetite; Dificuldades de relacionamento e integração na família ou no grupo; Insucesso escolar (por exemplo, quando antes era aluno interessado); Automutilação.

 

O que fazer se identificar sinais de risco?
 Encontre um momento apropriado e um lugar calmo para falar sobre suicídio com essa pessoa. Seja um bom ouvinte – ouça com toda a atenção e com o coração, não apenas os fatos, mas a sua dor, medos e ansiedades. Reconheça o seu sofrimento, valorize o que é
dito e demonstre que está disponível para ajudar. É fundamental que ela saiba e sinta o quão importante ela é para você, que a sua vida tem valor para alguém e que a sua dor emocional é compreensível e aceitável face às suas vivências presentes.

 Demonstre empatia – procure compreender as coisas não do seu ponto de vista, mas segundo o ponto de vista do outro. Não faça comparações. Não julgue, nem dê conselhos ou opiniões. Não mude de assunto, nem faça comentários do tipo  “Vai correr tudo bem” “Tenha calma”.

 Se essa pessoa que o preocupa não falar abertamente do que sente ou pensa, tome a iniciativa de conversar com ela. Diga claramente que percebeu que o seu comportamento mudou (especifique que mudanças específicas observou) e que está preocupado/a com o que possa ter causado essas mudanças.

 Não hesite em questionar aberta e diretamente se ele acredita que a ideia de suicídio é uma opção válida. Essas questões transmitem a mensagem de que existe alguém que compreende a sua dor psicológica e de que a pessoa não está sozinha. Naturalmente, a abordagem deste tema sensível varia em função da situação e relação de confiança estabelecida.

 É importante que a pessoa que pensa em suicídio saiba que a sua morte causaria sofrimento nas pessoas que a rodeiam, e haveria pessoas que sentiriam a sua falta. Por isso, nunca é demais ter um gesto de carinho para com ela. Por vezes, a tentativa de suicídio pode ser um pedido de ajuda que se pode evitar se a pessoa compreender, antes de tentar terminar a sua vida, que existe alguém que gosta dela, que se importa com ela.

 Incentive a pessoa a procurar ajuda de profissionais de serviços de saúde, de saúde mental, de emergência ou apoio em algum serviço público. Ofereça-se para acompanhá-la a um atendimento.

 Se você acha que essa pessoa está em perigo imediato, não a deixe sozinha. Procure ajuda de profissionais de serviços de saúde, de emergência e entre em contato com alguém de confiança, indicado pela própria pessoa.

 Se a pessoa com quem você está preocupado(a) vive com você, assegure-se de que ele(a) não tenha acesso a meios para provocar a própria morte (por exemplo, pesticidas, armas de fogo ou medicamentos) em casa.

 Fique em contato para acompanhar como a pessoa está passando e o que está fazendo.

 

Fatores de proteção 


 • Apoio da família, de amigos e de outros relacionamentos significativos; 
• Crenças religiosas, culturais, e étnicas;
 • Envolvimento na comunidade; 
• Vida social satisfatória; 
• Integração social, através do trabalho e do uso construtivo do tempo de lazer;
 • Acesso a serviços e cuidados de saúde mental. 

 

Mitos sobre o suicídio
Mito 1:as pessoas que falam sobre suicídio não farão mal a si próprias, pois querem apenas chamar a atenção. FALSO! Todas as ameaças de se fazer mal devem ser levadas muito a sério. Mito  2: suicídio é sempre impulsivo e acontece sem aviso. FALSO! Morrer pelas suas próprias mãos pode parecer impulsivo, mas o suicídio pode ter sido planejado durante algum tempo. Muitos indivíduos suicidas comunicam algum tipo de mensagem, verbal ou comportamental, sobre suas ideações da intenção de se fazerem mal.

Mito  3: os indivíduos suicidas querem mesmo morrer ou estão decididos a matar-se. FALSO! A maioria das pessoas que se sentem suicidas partilham os seus pensamentos com pelo menos uma outra pessoa, ou ligam para um número de emergência ou para um médico, o que constitui prova de ambivalência, e não de empenhamento em se matar.

Mito  4: quando um indivíduo mostra sinais de melhora ou sobrevive a uma tentativa de suicídio, está fora de perigo. FALSO! Na verdade, um dos períodos mais perigosos é imediatamente depois da crise, ou quando a pessoa está no hospital, na sequência de uma tentativa. Na semana que se segue à alta do hospital a pessoa está particularmente fragilizada e em perigo de se fazer mal, ainda continua em risco.

Mito  5: o suicídio é sempre hereditário. FALSO!
Nem todos os suicídios podem ser associados à hereditariedade e estudos conclusivos são limitados. Uma história familiar de suicídio, no entanto, é um fator de risco importante para o comportamento suicida, particularmente em famílias em que a depressão é comum.

Mito  6: os indivíduos que tentam ou cometem suicídio têm sempre alguma perturbação mental. FALSO! Os comportamentos suicidas têm sido associados à depressão, abuso de álcool e substâncias químicas, esquizofrenia e outras perturbações mentais, além de aos comportamentos destrutivos e agressivos. No entanto, esta associação não deve ser superestimada. A proporção relativa destas perturbações varia de lugar para lugar e há casos em que nenhuma perturbação mental foi detectada.

Mito  7: se uma  pessoa falar com outra sobre suicídio, esta poderá sugerir a ideia de suicídio à pessoa. FALSO! Ninguém obviamente causa comportamento suicida simplesmente por perguntar se consideram fazer-se mal. Na verdade, reconhecer que o estado emocional de sofrimento do indivíduo é real, e tentar normalizar a situação induzida pelo estresse são componentes necessários para a redução da ideação suicida.

Mito  8: o suicídio só acontece “àqueles outros tipos de pessoas,” não a nós. FALSO! O suicídio acontece a todos os tipos de pessoas e encontra-se em todos os tipos de sistemas sociais e de famílias.

Mito  9: após uma pessoa tentar cometer suicídio uma vez, nunca voltará a tentar novamente. FALSO! Na verdade, as tentativas de suicídio são um preditor crucial do suicídio.

Mito  10: as crianças não cometem suicídio, dado que não entendem que a morte é final e são cognitivamente incapazes de se empenhar num ato suicida. FALSO! Embora seja raro, as crianças cometem suicídio e, qualquer gesto, em qualquer idade, deve ser considerado muito importante.

 


*As informações sobre os mitos da temática foram extraídas da Cartilha de Prevenção do Suicídio da OMS. Você poder ler essas e outras informações através do link: http://www.who.int/mental_health/media/counsellors_portuguese.pdf

 

 

 

 

 


*Sobre a autora: Márcia Regina Dalla Dea Fernandes,  é psicóloga do Ambulatório de Psicologia do Albert Sabin Hospital e Maternidade, especialista em Psicologia Clínica, possui Formação em  EMDR e Brainspotting

 

 

 

 

 

 

 

Alguns links interessantes:

 

 

https://www.cvv.org.br/

 

https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/06/ligacao-para-prevencao-ao-suicidio-se-torna-gratuita-em-todo-o-pais.shtml

 

https://www.cvv.org.br/blog/o-uso-das-redes-sociais-na-prevencao-do-suicidio/

 

https://exame.abril.com.br/marketing/spotify-cria-playlist-em-apoio-ao-setembro-amarelo-contra-suicidio/

 

https://www.youtube.com/watch?v=dBL3ETLv8wE

 

6 MÚSICAS com a temática "NÃO DESISTA DE VOCÊ" (Setembro Amarelo) - Rádio TKJ

 

https://www.techtudo.com.br/noticias/2017/09/setembro-amarelo-facebook-e-instagram-contribuem-na-prevencao-ao-suicidio.ghtml

 

https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2018/09/12/no-setembro-amarelo-facebook-lanca-ferramenta-de-prevencao-ao-suicidio.ghtml

 

https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/suicidios-de-adolescentes-como-entender-os-motivos-e-lidar-com-o-fato-que-preocupa-pais-e-educadores.ghtml

 

https://revistacrescer.globo.com/Criancas/Saude/noticia/2016/09/precisamos-falar-sobre-suicidio-de-criancas-e-adolescentes.html

 

https://amenteemaravilhosa.com.br/suicidio-infantil-samantha-kubersky/

 

https://www.idaam.com.br/atlantic/noticia/3031-Jogos-suicidas-circulando-nas-redes-sociais

 

 

 

 

 

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