Lúpus Eritematoso Sistêmico - LES - Um dos temas do Fevereiro Roxo

February 28, 2019

 O Lúpus Eritematoso Sistêmico é uma doença crônica, inflamatória, de causa pouco
conhecida onde ocorre um desequilíbrio no sistema de defesa do organismo (sistema
imunológico). O organismo produz autoanticorpos que provocam vasculites (inflamação de
vasos sanguíneos em diferentes tecidos), originando uma doença multissistêmica com graus
variados de gravidade.

 

Suas causas são várias, desde fatores genéticos (mais comum entre gêmeos idênticos e
parentes de primeiro grau), epigenéticos (interações entre diferentes genes), ambientais
(exposição ao sol, tabagismo, infecções), hormonais (ações do estrógeno) e imunológicos.

 

Pode acometer os indivíduos em qualquer idade, mas é mais frequente na mulher na
idade reprodutiva.

 

São muitas as possíveis manifestações clínicas iniciais e não concomitantes como:
perda do apetite e do peso, febre de origem desconhecida, aumento dos gânglios linfáticos,
aumento do fígado e ou do baço.

 

As manifestações na pele são muito comuns e variadas, sendo bem característico o
eritema malar “a asa de borboleta”, sendo muitas dessas lesões fotossensíveis.
As dores articulares (artralgias) e inflamações articulares (artrites) também são
frequentes.

 

Já o acometimento das pleuras (pleurite), do pericárdio (pericardite), miocardite e
endocardite são as manifestações mais comuns nos pulmões e no coração.
As manifestações neuropsiquiátricas, tanto no sistema nervoso central (convulsões,
meningites sem infecção, cefaleia, psicose etc.) como no periférico (polirradiculoneuropatia,
miastenia gravis, polineuropatia, etc.) determinam maior ou menor gravidade.

 

A síndrome nefrítica ou a nefrótica, de gravidade variável conforme o tipo de
acometimento das estruturas caracterizam as manifestações renais.

 

Os exames laboratoriais são úteis no diagnóstico e acompanhamento dos pacientes.
Achados como redução no número das células brancas do sangue (de leucócitos = leucopenia,
de linfócitos = linfocitopenia), de eritrócitos (anemia), de plaquetas (plaquetopenia) são
comuns.

 

As manifestações do Lúpus tem que ser diferenciadas das infecções virais (hepatites,
HIV e outras) e das bacterianas (tuberculose, sífilis, hanseníase, etc.), de outras doenças
autoimunes (como a artrite reumatoide), doenças hematológicas (como linfomas e púrpuras).

 

Assim, o diagnóstico se baseia nos achados clínicos e laboratoriais, excluindo-se as
outras doenças.

 

O tratamento, em função da grande variedade de sintomas, depende da gravidade dos
mesmos e deverá ser realizado por uma equipe multidisciplinar de diferentes especialidades:

médicas, farmacêuticos, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos, além de um bom apoio

hospitalar e de uma boa estrutura para a realização de exames complementares.

 

Nos dias atuais o prognóstico do LES é muito melhor do que era na década de 1950.
Ela continua sendo uma doença grave dependendo dos órgãos acometidos (rins e cérebro
principalmente), entretanto as possibilidades terapêuticas atuais permitem a remissão ou
controle da doença em muitos casos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dr. Sergio Luiz Martin Nardy  

Reumatologista

CRM 29.657

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