Um olhar mais aprofundado sobre as Hepatites Virais - Julho Amarelo

July 19, 2019

 

Falar sobre hepatites virais integra uma série de informações que estão diretamente envolvidas no nosso dia a dia ou no mínimo de quem cuidamos, trabalhamos ou conhecemos.

Muitas vezes podemos ter o termo hepatite citado para algumas doenças nas quais o fígado é personagem coadjuvante, secundário dentro de algumas doenças, mas aqui falando de uma agenda que ataca, se aloja, multiplica e provoca as lesões no tecido hepático.

 

É uma doença de notificação compulsória desde 1996 e as informações obtidas com essas informações permitem entender melhor as características epidemiológicas, clínicas, laboratoriais e sua distribuição regional e universal. 

 

 

Sobre os tipos de vírus:

 

A / B / C / D são as mais conhecidas e afetam o humano

 

E / predomina em suínos, roedores e aves além do humano

 

Temos ainda os tipos F / G e mais 2 letras chegando do Japão

 

 

Sobre suas características:

 

A / E: transmissão oral x fecal está diretamente relacionada a presença de saneamento básico, higiene pessoal, água tratada e fiscalização de alimentos.

 

Está presente em bolsões de pobreza ou locais sem infraestrutura adequada, é relacionada a menores condições sócio econômicas.

 

No Brasil é mais presente no norte / centro oeste / nordeste / distrito federal / sudoeste e sul nessa ordem

 

B / C / D: relevantes pelas características de contaminação e distribuição universal, sendo transmitidas por sangue, sexo, de mãe para filho, usuários de droga injetável que dividem suas seringas, quem não usa seu próprio kit na manicure/pedicure bem como divide sua lâmina de barbear ou depilador. Não menos importante a preocupação com os portadores de piercing, tatuagens quando instalados em ambientes inadequados.

 

É superimportante para os trabalhadores na assistência à saúde sobre as contaminações com material biológico no nosso dia a dia, práticas cirúrgicas e de tratamento dentário, endoscopias e lavanderias. Já se entende aqui a importância da biossegurança.

 

A distribuição no brasil ocorre principalmente no norte e centro oeste (outra vez) depois sudeste / sul / nordeste.

 

O vírus da hepatite / D / caminha junto com aquele da hepatite / B / existe muito forte no norte com uma explosão no tempo do garimpo da serra pelada.

 

Como se manifesta:

 

Após o contato com cada um desses vírus felizmente não é 100% das pessoas que se contaminam mas existe um período no qual o vírus multiplica para depois se manifestar.

Se engana quem pensa que todas as pessoas expostas e que desenvolveram a doença ficaram ictéricas (amareladas).

 

Tipo A: período de incubação entre 15 a 45 dias

Não crônica só existe a fase aguda geralmente benigna mas existe uma forma rara de apresentação chamada de fulminante.

 

Tipo B: período de incubação entre 2 a 6 meses

Existe a forma aguda e crônica sendo neste tipo as formas crônicas mais amenas que a do tipo / C / com complicações em menor número (fibrose/cirrose/câncer). Só pode ser classificada como crônica após 6 meses de manutenção de sintomas e alterações laboratoriais.

Destaque para a transmissão vertical (de mãe grávida para filho) bem maior que a pelo tipo /C/

 

Tipo C: período de incubação entre 30 dias a 6 meses

Desde 1995 - 1998 a que merece mais atenção pelo potencial de complicação e cronificação (quase 70%) e maior agressividade hepática tanto para cirrose quanto para câncer.

Também só pode ser classificada como crônica após seis meses de manutenção dos sintomas e alteração laboratorial.

Também ganha destaque na transmissão vertical (de mãe grávida para filho) e com a curiosidade de não ser transmitido pelo leite materno.

 

Tipo D: período de incubação entre 50 dias a 6 meses

Muito regionalizada, quando junto com o vírus / B / pode complicar em até 70% e sem ele apenas 5%.

 

Tipo E: período de incubação entre 15 a 60 dias

 

 

Diagnóstico:

 

Para suspeitar do diagnóstico existe as informações, as manifestações clínicas e a confirmação laboratorial; esta pode ser específica quando pedimos as sorologias e/ou marcadores para cada tipo de vírus da hepatite.

 

Seguimento x Recuperação x Prognóstico:

 

Aqui está uma fase muito importante porque a falta de seguimento ou informação pode expor outras pessoas se não trabalharmos principalmente a prevenção de casos secundários.

Lembrar que para os casos de falha no tratamento temos a opção dos transplantes hepáticos um recurso altamente crítico, dispendioso e limitante por meses ou anos do paciente cujo prognóstico pode ser ruim.

 

- Na hepatite A: tratamento espontâneo com menos de 0,5% dos casos evoluindo para aquela forma fulminante. Geralmente num intervalo de 3 meses o paciente tem alta.

 

- Na hepatite B: 90% dos pacientes curam / menos de 1% evoluem para forma fulminante e 10% cronificam. São pacientes que devem ter seguimento ambulatorial pelo menos de 6 meses e se cronificar serem incluídos nos protocolos de tratamento das hepatites crônicas cujo medicamento é fornecido pelo estado e com uso bastante prolongado.

 

- Na hepatite C: apenas 30% curam. Podem permanecer de modo silencioso por 30 anos sem qualquer manifestação. Costumamos falar que o "fígado não mata...judia" devido a sua capacidade de manter suas funções mesmo quando acometido por uma doença crônica, por isso muitas pessoas não se tratam. Daí um dos princípios da medicina preventiva em estimular todas as pessoas a realizar teste rápido ou sorologias para hepatites C x B.

Também devem ter seguimento por 6 meses no ambulatório e o tratamento para aqueles classificados como crônicos tem muitas particularidades com medicamentos bancados pelo governo e muito superiores aos antigos tratamentos. Com esse novo arsenal de medicamentos a cura pode chegar a 95%.

 

- Na hepatite D: evolução grave quando associada ao tipo / B / com cronificação e cirrose > 70%.

 

- Na hepatite E: a particularidade aqui diz respeito as gestantes que podem evoluir a óbito em até 25% dos casos.

 

 

Prevenção, a medida mais eficaz:

 

Aqui está uma série de medidas que podem evitar exposições, transmissões e tratamentos desnecessários em função de ações individuais, em massa ou em grupos específicos.

 

Paras as hepatites A / B temos vacinas sendo que a primeira ainda não disponível na rede pública e a segunda presente no calendário vacinal desde 2001 muito eficaz após suas 3 doses.

 

Para crianças, gestantes, profissionais da saúde, renais crônicos e outras categorias como profissionais do sexo todos devem ser vacinados.

 

Para os profissionais da saúde existe vínculo direto com a medicina, o trabalho que avalia e segue os profissionais imunizados e permite abreviar várias etapas do seguimento.

 

Para hepatite C não dispomos de vacinas mas temos os medicamentos para as exposições com material biológico de pacientes sabidamente portadores de anticorpo (+) com exames prévios sendo realizados na tentativa de não permitir a evolução para forma crônica.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Antônio Anselmo Ribeiro Rienzo

CRM: 42187

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Berçário Virtual

December 2, 2019

November 27, 2019

November 25, 2019

Please reload

Posts em Destaque

CAMPANHA OUTUBRO ROSA

October 17, 2017

1/5
Please reload

Climed Saude

(11) 4414-5000

Rua da Bahia 342 - Recreio Estoril - Atibaia/SP