Adolescência e Suicídio - Setembro Amarelo, Mês de Combate ao Suicídio

September 1, 2019

 

Mês de setembro, mês em que se inicia uma das mais belas estações do ano que desperta em nossas mentes imagens de lindas e belas flores com seus mais variados perfumes! Uma estação colorida! Assim somos capazes de projetar na mente imagens de experiências vividas em determinados momentos da vida!

 

Esse mês contempla-se a campanha Setembro amarelo a fim de tratar de um assunto que não conseguiremos projetar cores e perfumes, mas a dor sem cor que não significada pode levar ao ato suicida.

 

A campanha anual desde 2015 tem por objetivo falar do assunto, quebrar tabus, informar e prevenir. Porém o suicídio está tão em evidência que tornou-se um assunto do ano todo, um assunto corriqueiro na linguagem das redes sociais, das mídias virtuais e presente no dia a dia das pessoas.

 

Em abril desse ano (2019) tornou-se obrigatório que escolas e hospitais notifiquem automutilação (cutting) e as tentativas de suicídio, além de disponibilizar serviços gratuitos de escuta para pessoas com sofrimento psicológico como o CVV (Centro de Valorização da Vida).

 

Essas ações criadas nos dão um alerta para o crescimento dos casos de suicídio na sociedade atual tornando-se um problema de saúde pública principalmente entre adolescentes e jovens passando a ser a terceira maior causa de morte entre 15 e 29 anos segundo dados da OMS.

 

Gostaria de com isso promover uma breve reflexão sobre as emoções adolescentes no mundo contemporâneo, a fim de pensar novos modos de compreensão desse fenômeno fatalmente atual e em expansão.

 

O termo psicanalítico acting out (passagem ao ato) remete a um comportamento presente por excelência na adolescência marcada por impulsividade e angústia.

 

Esse agir impulsivo característico da fase pode promover sentimentos bons como o desejo de mudar o mundo através de ideias, atitudes ousadas, manifestações, entre outros. Em outro extremo a fase cheia de dúvidas e conflitos repleta de mudanças físicas psíquicas e hormonais coloca o adolescente em um “não lugar”, não sou criança, não sou adulto. Quem sou?

 

Assim quanto mais complexa a nossa sociedade, mais conflituosa pode se tornar a adolescência. Junta-se tudo isso e jogamos na atualidade com sua efemeridade em um mundo de excessos que nos devora pelo consumo e velocidade das informações.

 

O adolescente é bombardeado o tempo todo por imagens fugazes que excitam a mente e não dão espaço para a elaboração das emoções já tão fragilizadas nessa fase.

 

Não se promove o espaço para refletir, pensar. O que resta é o agir imediato. Por isso passagem ao ato. Eu sinto eu ajo. O pensar na conduta do como agir frente a um conflito, frustração, medo, angústia fica comprometido. Uma dor psíquica não elaborada passa a ser representada no corpo. Haja vista o grande aumento da automutilação como citamos no início.

 

Sem oferecer tais recursos que baixem essa excitação mental nos adolescentes não fica difícil essa passagem ao ato que inclui as tentativas de suicídio.

 

O que seriam esses recursos? A promoção do diálogo em família, com amigos, ler um livro, atividade física, artes como a dança, música, teatro, enfim espaços de convivência sadia.

 

Seriam essas, algumas das formas de canalizar as angústias próprias dessa fase, pois temos a capacidade de simbolizar as coisas. O que seria isso? Podemos dizer de forma simplificada que nós, seres humanos, diferente dos animais, temos a capacidade de atribuir sentido as experiências da vida e que essa capacidade passa pela subjetividade única de cada sujeito e só se dá no encontro com o outro.

 

Como anda nossa sociedade quando diz respeito a oferecer aos nossos adolescentes meios de atribuir sentido a sua existência?

 

Grandes cidades podem ter quilômetros de prédios sem nenhum espaço para a convivência, seja em praças, áreas esportivas e de lazer, ou seja, locais de encontro que não tenham por primazia apenas o consumo.

 

Onde se encontra o jovem? Muitas vezes dentro de seus quartos onde a subjetividade é substituída pelo mundo virtual com cores e sons maravilhosos que apresentam uma felicidade efêmera.

 

É fato que a sociedade consumista e individualista tem produzido diversas psicopatologias como a depressão e ansiedade quanto mais para nossos adolescentes que vivem no mundo dos excessos e que pouco sabe-se lidar com a falta. Não há limite!

 

Por causa da tecnologia as pessoas estão cada vez mais distantes e menos dependentes da família. Nessa época em que tudo é transitório não há tempo para atribuição de sentido.

 

Como simbolizar uma dor da alma se não tem quem escute, se não existe um  meio de expressar, dar sentido e significado para os conflitos da mente contemporânea?

 

A passagem ao ato destaca a fragilidade do mundo mental do adolescente que ao sofrer uma dor psíquica necessita fazer algo com urgência que alivie sua dor. Isso pode ser próprio da impulsividade dessa fase como beber, fugir de casa, usar drogas em algum momento da vida.

Mas deve-se estar atento, pois, muitas vezes existe uma sutileza entre o normal e o patológico nesses atos.

 

É próprio dessa fase que o adolescente necessite sentir-se pertença de um grupo. Se a sociedade não oferece grupos reais sobram os grupos de whatsApp, canais de youtubers, blogueiros e blogueiras. Nesse vazio de sentido muitos jovens ocultamente passam a identificar-se com esses grupos virtuais que podem ser perigosos quando a identificação é com a mesma dor e vazio.

 

Por mais clichê que pareça, as bases sólidas para um bom desenvolvimento emocional desde a primeira infância ainda é o toque, o olho no olho, o amor que lê, escuta e percebe o outro.

 

Aprender a atribuir sentido aos acontecimentos da vida sejam eles bons ou ruins passa pela forma como me relaciono com as pessoas seja individual ou em grupos e isso é constituição subjetiva.

 

Finalizo aqui com uma frase de Sigmund Freud: “como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada”.

 

Aprendamos dar cor à vida e que venha a primavera!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Marisa Lumiko Kohama Verly de Sousa

Psicóloga Clínica – Clínica de especialidades Albert Sabin

CRP 06/131046
 

 

 

 

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