Dia Nacional de Luta pelos Direitos da Pessoa com Doenças Falciformes

October 27, 2019

 

 

O nosso sangue é formado de células vermelhas chamadas de hemácias. As hemácias são células redondas repletas de um pigmento chamado de hemoglobina, que dá a cor vermelha ao sangue. Essa hemoglobina chama-se A, de adulto. A hemoglobina e o ferro são responsáveis por levar o oxigênio do pulmão para todo o nosso organismo, fazendo com que todos os órgãos funcionem adequadamente. A anemia é a diminuição da hemoglobina no sangue. Na maioria das vezes, essa diminuição ocorre por falta de ferro no sangue, razão pela qual os órgãos não recebem a quantidade suficiente de oxigênio e não podem desempenhar bem suas funções. Mas existe um outro tipo de anemia, com nome de anemia falciforme. É uma anemia que acontece porque algumas pessoas não têm a hemoglobina A e, no seu lugar, produzem outra hemoglobina diferente daquela, chamada hemoglobina S. A hemoglobina S não exerce a função de oxigenar o corpo de forma satisfatória, razão pela qual as pessoas portadoras de anemia falciforme apresentam uma anemia crônica e persistente.

 

Nessas pessoas, as hemácias, em vez de redondas, tomam a forma de meia lua ou foice. Essas células afoiçadas têm muita dificuldade de passar pelos nossos vasos sanguíneos, ocasionando sua oclusão e muitas dores, principalmente ósseas. A anemia falciforme é a doença hereditária mais comum no mundo e no nosso país. Sua transmissão é genética. Todas as características do nosso corpo são feitas por informações que recebemos dos genes transmitidos pelos nossos pais. Os genes determinam, nas pessoas, a cor dos olhos, dos cabelos, da pele, a altura, etc. Com a hemoglobina não é diferente. Se uma pessoa receber, do pai, um gene com mutação para produzir a hemoglobina S e, da mãe, outro gene com a mesma característica, tal pessoa nascerá com um par de genes com a mutação (SS) e, assim, terá anemia falciforme.

 

Se uma pessoa receber somente um gene com a mutação (AS), seja do pai ou da mãe, e o outro gene sem a mutação, ela nascerá somente com o traço falciforme. O portador de traço falciforme não tem doença e não precisa de tratamento especializado. Ele deve ser bem informado sobre isso e saber que, se tiver filhos com outro portador de traço falciforme, poderá haver a chance de se gerar uma criança com anemia falciforme.

 

As pessoas com anemia falciforme apresentam sintomas muito variados. Desde aquelas que não têm  quase nenhum sintoma, necessitando de nenhuma ou de poucas transfusões sanguíneas com excelente qualidade de vida e até aquelas que, mesmo com acompanhamento médico adequado, têm crises muito graves da doença, com sintomas de dores ósseas, dores abdominais, úlceras de difícil cicatrização nas pernas e infecções de repetição às vezes muito graves . Alguns doentes podem ter crises de anemia mais intensas e mais rápidas, necessitando de várias transfusões sanguíneas frequentes. As crises variam de gravidade e de tipo conforme a idade da pessoa acometida.

 

Quando descoberta a doença, o bebê deve ter um acompanhamento médico adequado baseado num programa de atenção integral ao doente com anemia falciforme. Nesse programa, os pacientes devem ser acompanhados durante toda a sua vida por uma equipe multiprofissional. Tal equipe deve ser treinada no tratamento da anemia falciforme para orientar a família e o paciente a descobrir rapidamente os sinais de gravidade da doença, a tratar adequadamente as crises, quando presentes, e a praticar medidas para prevenir as crises da doença e as infecções graves.

 

A ciência avançou muito no conhecimento da anemia falciforme e de seu tratamento adequado. O tempo e a qualidade de vida das pessoas com a doença dependem do diagnóstico feito pelo teste do pezinho, logo ao nascimento, do início da atenção integral e do envolvimento da família com o conhecimento sobre a doença e a prática do tratamento proposto.

 

 É importante conhecermos a anemia falciforme, porque é uma patologia muito presente na nossa população. Dados do teste do pezinho mostram que nascem no Brasil cerca de 3.500 crianças por ano com doença falciforme e 200.000 com o traço falciforme, entre os recém-nascidos vivos. Esses números se configuram como questão séria de Saúde Pública. Como foi dito anteriormente, quanto mais cedo o diagnóstico, melhor a qualidade e o tempo de vida dessas pessoas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dr. Newton Carlos Polimeno, CREMESP 24.817

Dr. Antonio Paulo Servantes, CREMESP 120.597

Médicos da Clínica MEDITE especialistas pela Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH)

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