BRINCADEIRA INSTRUMENTO PARA CRIANÇAS COM TEA

A brincadeira como instrumento para estimulação de crianças com TEA.

Autora: Gabriela Bagatin Venancio - Psicóloga/Neuropsicóloga - CRP 06/87.339


Quem não se lembra das brincadeiras de infância? Da amarelinha, brincadeira de casinha, pega-pega, esconde-esconde, carrinhos feitos com caixa de papelão, boneca, enfim, brincadeiras com objetos prontos ou usando apenas a imaginação. A diversão é garantida, e o mais importante, na infância, a melhor forma de aprendermos é BRINCANDO!


Conforme Oliveira (2001), no início da vida, o bebê está aprendendo a lidar com o próprio corpo e a brincadeira tem o papel na aprendizagem através da troca com o meio, exercitando seus esquemas sensório-motores, buscando movimentos e sensações. A partir dos dois anos a brincadeira simbólica já se desenvolve consideravelmente, a criança revive situações que lhe foram significativas e aprende ao brincar, a diferenciar realidade da fantasia.


A brincadeira simbólica a partir dos quatro anos, introduz progressivamente características sociais e o brincar com regras, onde o combinado deve ser respeitado e situações com maiores dramatizações e cheias de emoção permeiam o contexto.


O brincar possibilita à criança vivenciar as experiências que precisa para seu desenvolvimento, onde suas habilidades são potencializadas passando assim para um maior nível de desafio.


Embora todas as crianças gostem de brincar, as crianças com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) podem apresentar algumas características específicas no comportamento como: preferência por brincar sozinhas, repetir um ato ou movimento com mais frequencia; passar um tempo demasiadamente longo com seu brinquedo preferido; demonstrar potencial imaginativo mais baixo para brincadeiras de "faz-de-conta" e/ou prejuízo na imitação.

Diante disso, a criança com TEA irá se beneficiar da intervenção, da interação com o outro e da estimulação constante feita através do brincar, que podem ser realizadas em casa, em um parque, na terapia, etc.


Abaixo seguem algumas dicas para potencializar a estimulação através da brincadeira:


• Sente-se de frente para a criança para aumentar o contato visual;

• Inicialmente observe a iniciativa da criança na brincadeira, siga seus passos e conquiste sua atenção. Após isso, introduza novos gestos a partir do que a criança já trouxe, despertando o interesse dela, aumentando as chances de imitação e interação.

• Aproveite momentos da rotina para introduzir brincadeiras (ex: hora do banho com a espuma ou trocas de roupa sinalizando partes do corpo, etc.)

• Use a criatividade e experimente diferentes formas de utilizar o mesmo brinquedo.

• Procure músicas do interesse da criança e crie gestos, estimulando a imitação.


Exemplos de atividade e o que trabalha:

- Massinha, jogo de panelinhas, fazer “comidinhas”: Coordenação motora/ estimulação sensorial/ simbolização “faz-de-conta / imitação.

- Brincadeiras com bola: coordenação motora / atenção compartilhada / imitação / concentração.

- Músicas infantis com gestos: atenção/ concentração/ percepção/ imitação/ rotina sensóriosocial

- Encaixes de figuras geométricas/cores: pareamento / atenção / percepção / coordenação motora


Aumente a satisfação do seu filho na brincadeira e irá aumentar as oportunidades de aprendizagem que podem ser obtidas através do BRINCAR!


Referência Bibliográfica: Cipriano M. S., Almeida M. T. P. O Brincar como Intervenção no Transtorno do Espectro do Autismo. Artigos Originais. v. 2 n. 11 (2016) Edição Especial.


Oliveira V. B.,Bossa N. A. (Orgs). Avaliação Psicopedagógica da Criança de Zero a Seis Anos. 11a . Edição. Editora Vozes. Petrópolis, 2001.


Rogers J. Sally, Dawson G., Vismara L. A. Autismo: Compreender e agir em família. Editora Lidel (2015)

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