Você não está sozinho!


Suicídio é um tema desagradável e nem todo mundo quer falar sobre isso. O estigma e o tabu relacionados ao assunto são aspectos a serem levados em consideração, pois atualmente ainda temos medo e vergonha de falar abertamente sobre esse problema de saúde pública. Cerca de 800 mil pessoas morrem anualmente por suicídio no mundo; a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio, e a cada três segundos uma pessoa atenta contra a própria vida. É a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos. É uma questão séria de saúde pública e é possível prevenir o suicídio, desde que os profissionais da saúde estejam aptos a reconhecerem os fatores de risco. Chamamos de comportamentos suicidas: os pensamentos, os planos e a tentativa de suicídio. Deve ser considerado como o desfecho de uma série de fatores, levando em consideração a complexa interação de fatores psicológicos e biológicos, inclusive genéticos, culturais e socioambientais.


Existem alguns fatores de risco que devem ser observados para identificar o risco de suicídio, dentre os quais se destacam dois destes principais fatores:

Doença Mental: Quase todos os suicidas tinham uma doença mental, muitas das vezes não diagnosticada, frequentemente não tratada. Os adoecimentos mais comuns incluem depressão, transtorno bipolar, alcoolismo e abuso/dependência de outras drogas e transtornos de personalidade e esquizofrenia. Dessa forma, a identificação e o tratamento dos transtornos mentais estão entre os principais fatores de proteção na prevenção do suicídio.

Tentativa prévia de suicídio: Fator preditivo isolado mais importante. Pessoas que já tentaram suicídio previamente tem de cinco a seis vezes mais chances de tentar suicídio novamente.


Destacamos outros fatores de risco que também devem ser considerados:

– Idade: Suicídio em jovens aumentou em todo o mundo nas últimas décadas e também no Brasil, representando a terceira causa de morte nessa faixa etária do país. Também encontramos taxas de suicídio elevadas entre os idosos. Idade entre 15 e 30 anos e acima de 65 anos são as mais afetadas.

– Gênero: Os óbitos por suicídio são três vezes maiores entre os homens do que entre as mulheres. Inversamente, as tentativas de suicídio são, em média, três vezes mais frequentes entre as mulheres. Papéis masculinos tendem a estar associados a maiores níveis de força, independência e comportamentos de risco. Muitas vezes estes papéis impedem os homens de procurar ajuda para os sentimentos suicidas e depressivos e a solidão e o isolamento social são os principais fatores associados. Mulheres se suicidam menos porque tem redes sociais de proteção mais fortes e se engajam mais facilmente do que os homens em atividades da vida diária, comunitárias e sociais, o que lhes confere um sentido de participação maior.

– Fatores sociais: Quanto menos laços sociais têm um indivíduo, maior o risco de suicídio. Desempregados com problemas financeiros ou trabalhadores não qualificados têm maior risco de suicídio. Viver sozinho também parece aumentar o risco, já que vemos taxas mais altas entre indivíduos divorciados ou que nunca se casaram e entre aqueles sem filhos.

– Doenças clínicas não psiquiátricas também são associadas ao suicídio, como, por exemplo, câncer, HIV, doenças neurológicas, doenças cardiovasculares e reumatológicas, dores crônicas, dentre outras.

– Meios possíveis para suicidar-se: Acesso a armas de fogo, locais elevados e medicação em grande quantidade aumenta a chance de uma eventual tentativa de suicídio seja efetivada.

– Eventos adversos na infância e na adolescência, como maus tratos, abuso físico e sexual, transtorno psiquiátrico familiar, entre outros fatores podem aumentar o risco de suicídio.

– História familiar e genética: Risco de suicídio aumenta entre aqueles com histórico familiar de suicídio ou de tentativa de suicídio. Existem componentes genéticos, assim como ambientais envolvidos. O risco de suicídio aumenta entre aqueles que foram casados com alguém que se suicidou.


A seguir, discutimos algumas medidas que podem ser tomadas para aumentar os fatores de proteção e diminuir os de risco citados acima:

– Buscar e seguir tratamento adequado para doença mental;

– Aumentar contato com familiares e amigos;

– Iniciar atividades prazerosas ou que tenham significado para a pessoa, como trabalho voluntário e/ou hobbies;

– Envolvimento em atividades religiosas ou espirituais;

– Reduzir ou evitar o uso de álcool e outras drogas.


As doenças da mente, assim como as cardíacas, renais ou endócrinas, são tratáveis. Existem muitas doenças mentais e para cada uma existe um tratamento adequado, seja para depressão, transtornos ansiosos, alimentares, dentre outras. Como vimos, é uma das principais causas de mortalidade no Brasil e no mundo. No entanto, o conhecimento dos fatores de risco discutidos podem auxiliar na sua prevenção, sendo essencial identificar o problema e buscar modos saudáveis e construtivos de enfrentá-lo.


Ettore Carreri Psicólogo CRP 17/3272

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